Slam Dunk!

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005


Johnson e Bryant são os "jogadores da semana" na NBA

Os armadores Joe Johnson, do Atlanta Hawks, e Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, foram escolhidos como os "jogadores da semana" da NBA da Conferência Leste e Oeste, respectivamente.

Johnson conseguiu sua melhor marca na última sexta-feira, ao marcar 36 pontos na vitória de sua equipe sobre o New York Knicks. No total, foram três vitórias em quatro jogos, a primeira semana positiva dos Hawks desde a temporada 2003-2004.

LeBron James (Cleveland Cavaliers), Chauncey Billups (Detroit Pistons), Jermaine O`Neal (Indiana Pacers), Dwyane Wade (Miami Heat) e Chris Webber (Philadelphia 76ers) foram os outros premiados na Conferência Leste.

Já Bryant, que teve média de 33,8 pontos, contabilizou o mesmo retrospecto que o jogador do Atlanta (3 a 1). Além do poder ofensivo, ele cravou médias de 5,8 rebotes, 3,8 assistências e 2,0 recuperações de bola por partida.

Este foi o segundo prêmio de melhor da semana dado a Bryant na temporada 2005-2006. O ídolo dos Lakers já havia sido escolhido na primeira semana da competição.

O alemão Dirk Nowitzki (Dallas Mavericks), o turco Mehmet Okur (Utah Jazz) e o novato Chris Paul (New Orleans Hornets) também foram lembrados na Conferência Oeste.

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O Expresso Batista

Cabelo desgrenhado, bigode setentista, meias coloridas e um pouco alargadas: quase um rock star. Pode arremessar de qualquer canto da quadra, com uma série de movimentos diversificados: arremesso em flutuação, arremesso com os pés plantados ou agressivas infiltrações, apesar de não ter elasticidade lá muito impressionante. Já marcou 43 pontos em duas partidas em menos de duas semanas, liderando seu time com média de 28 pontos. O ala Adam Morrison, no terceiro ano em Gonzaga, é o destaque do início de temporada do basquete universitário americano.
Boa parte dos cartolas e olheiros da NBA acredita que o jogador vai pular para os profissionais no próximo draft, em uma posição prestigiosa. Estão seguindo de perto todos os seus passos durante a temporada.

Este é o embalo em que o número 2 da equipe, o pernambucano João Paulo "JP" Batista, quer pegar carona: se não for para acompanhar os passos do colega mais afamado, pode tentar ao menos descolar uma boa boquinha na Europa. Uma ascensão improvável para um jogador que passou batido por nossas bandas.

Batista é o segundo cestinha (20.1 pontos) e principal reboteiro (8.3) de Gonzaga nas primeiras 10 partidas da temporada. Apesar de ser a única referência de sua equipe debaixo da tabela, vem com ótimo aproveitamento de 56.7% nos arremessos de quadra. Quando vai à linha de lances livres (média de 5.8 chutes por jogo), converte 89.9%... Nada mau para um pivô.

Depois de ver seu capitão, o pivô francês Ronny Turiaf, graduar-se, a escalada de Batista é um alívio para o técnico Mark Few. "Ele é um dos melhores cestinhas no garrafão no país e precisa impor os seus termos. Nós conseguimos passar a bola para ele nos momentos decisivos e vimos grandes jogadas", disse Few, após a vitória de 64-62 em cima de Oklahoma State, no dia 10.

"No ano passado, contávamos com Ronny como nosso principal homem no garrafão, e neste ano sou eu. Os treinadores confiam bastante em mim e sou um cara paciente. Se eu receber a bola com chance de pontuar, vou tirar o máximo desta oportunidade", afirmou Batista.

E quais seriam esses "termos"? Qual é o jeito JP Batista de ser em quadra?

Em uma palavra?

Trombada.

"Minha nossa, foi como uma partida de futebol americano", disse Batista, com 17 pontos e nove rebotes, além de sangue estancado no nariz. "Mas por mim está tudo bem".

O estilo físico e as estatísticas decorrentes animam a imprensa local, que se solta e já elege o brasileiro como um atleta qualificado à NBA. Mas o sucesso no basquete universitário não garante, por si só, um lugar ao lado de Tim Duncan, Kevin Garnett e cia. bela. Batista vai ter de mostrar mais virtudes além da admirável força física. Não custa lembrar a trajetória de Rafael Araújo de figura dominante pela BYU a decepção em Toronto.

Por enquanto, Batista ainda é visto pelos scouts como um jogador pequeno para os padrões de pivô da NBA (2,06 m listados oficialmente), sem agilidade e impulsão necessárias para defender esguios e explosivos alas-pivôs. De todo modo, não será o primeiro jogador a combater tais restrições. Os novatos Ike Diogu (Golden State Warriors), Wayne Simien (Miami Heat) e Sean May (Charlotte Bobcats) foram questionados até as últimas horas antes do draft. O trio, porém, apresenta, características físicas e técnicas que compensaram a ¿baixa¿ estatura: Diogu, May e Simien possuem envergadura assustadora; Diogu tem um truque ou outro (e outro, e outro...) debaixo da tabela; May é um passador extremamente inteligente e habilidoso; Simien é um matador no gatilho de média distância.

O brasileiro está trabalhando para evoluir. Se não possui uma fórmula mágica de crescimento, tem condições, ao menos, de aprimorar seu basquete. Passou três breves (e caladas) semanas no Brasil e voltou a Tacoma para trabalhar seus movimentos e arremesso com sessões de até 500 lances livres por dia. Então por que estranhar seu atual aproveitamento?

O treinamento em quadra, contudo, não impede que passe mais algumas horinhas na academia. Foi avisado por Turiaf de que o recorde de levantamento de peso nos testes pré-draft era o impulso de uma barra de 84 kg por 25 vezes. Tomou nota, extrapolou e ergueu a mesma barra por (afe!) 33 vezes. Seu companheiro Sean Mallon lhe confere ganho de causa: "Ainda bem que sou do time dele. JP é tão mais forte que os outros caras, que jogam sujo com ele, batem demais. E nada acontece, me sinto até mal".

"Acho que vai fazer bem para mim. Não sou tão atlético ou alto como os adversários, então a força se torna muito importante. Preciso ser forte para me defender", afirma Batista, agora com 122 quilos.

Portanto, qualquer que seja a opinião dos olheiros, ou qualquer que seja seu futuro pós-Gonzaga, o pernambucano vai à base de pancadaria mesmo.


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Quanto mais Gonzaga avançar nos playoffs nacionais, melhor. O caminho mais provável: Batista receberá atenção suficiente para garantir uma convocação ao "camp" de Porstmouth, que reúne os graduados não tão badalados do basquete universitário. Então serão de três a cinco dias de "rachas" para mostrar serviço e ganhar oportunidades de testes privados com as equipes. O ala Jason Maxiell, cinco centímetros mais baixo do que Batista e também um "barril" à sua maneira, arranjou seu espaço nos Pistons desta forma. Atropelou, literalmente, quem apareceu pela frente.


Giancarlo Giampietro - Rebote

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